Pare Belo Monte – Ato Mundial (Belém) / 20 ago 2011

Publicado en por Ivonne Leites. - Atea y sublevada.

 

Pare Belo Monte – Ato Mundial (Belém)

 

 

 

 

Subido por el 20/08/2011

Imagens da manifestação ocorrida em Belém-PA, neste dia 20/08/2011, como parte da jornada mundial de luta contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Novas manifestações ocorrerão, em mais de uma dezena de países, no próximo dia 22/08, em frente às embaixadas e consulados brasileiros.

 

domingo, 21 de agosto de 2011 

Outras imagens:
http://youtu.be/PieReLhOk5M   http://xingu-vivo.blogspot.com/

http://youtu.be/rawua5uQKyI  http://xingu-vivo.blogspot.com/

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Eles vão ter que ouvir – Pare Belo Monte!

sábado, 20 de agosto de 2011

Foto: Mellaine Mendes

 

[Samira Rodrigues/Otávio Rodrigues]
Manifestantes contrários à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, na Volta Grande do Rio Xingu, sudoeste paraense, saíram às ruas de Belém, em protesto contra a decisão do governo brasileiro. A cidade amanheceu com cartazes alusivos à campanha “Pare Belo Monte!”, promovida pelo Comitê Metropolitano Xingu Vivo Para Sempre, em diversos pontos das principais avenidas.
O ato teve início por volta das 9 da manhã, na Praça da República, e seguiu até a pedra do peixe no Ver-o-Peso, considerada a maior feira livre da América Latina, às margens da Baía do Guajará.
Muitos manifestantes saíram com os rostos pintados e vestidos com indumentárias indígenas para lembrar a resistência dos povos da região. “Não, não, não. Belo Monte não!”, “Governo Dilma, mas que vergonha, constrói Belo Monte e destrói a Amazônia!” eram algumas das palavras de ordem que soavam nas ruas da cidade, cantadas por mais de 1500 pessoas aproximadamente, enquanto caminhavam e angariavam apoio entre populares da capital paraense.
Os manifestantes estendiam as palmas das mãos para frente e repetiam a frase “Pare Belo Monte!”, gesto que foi sendo copiado e virou o símbolo do ato realizado em Belém.
Às margens da Baia do Guajará, os manifestantes simularam um grande abraço. “Este é um abraço que estamos dando no Rio Xingu e nos rios da Amazônia. É um abraço pela vida e um compromisso incondicional com a luta dos povos da floresta” bradava a voz que saía de um carro som.
O governo vai ter que ouvir
A manifestação de Belém aconteceu em sintonia com outras realizadas pelo Brasil e por vários continentes. Para o economista Dion Monteiro e membro do Comitê Metropolitano Xingu Vivo Para Sempre, este ato foi uma demonstração pública de indignação e repúdio em escala mundial contra esta mega ação destruidora, planejada pelo governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), “No mundo todo, as pessoas e as organizações estão unidas contra este projeto de destruição e morte que é Belo Monte. O governo vai ter que ouvir a população da Amazônia e a população do mundo todo dizendo Pare Belo Monte!”.
Para o arquiteto e professor Edmilson Rodrigues, deputado estadual do Pará, Belo Monte é um ameaça para a conservação da sociobiodiversidade da Amazônia, “É bonito ver a humanidade, é bonito ver os lutadores do povo no mundo inteiro, em todos os países, dizendo não a Belo Monte, dizendo não aos grandes projetos que alavancam as riquezas nas mãos de poucos e, ao mesmo tempo, produzem desgraça, assassinatos, prostituição infantil, enfim, ampliam as profundas desigualdades sociais. O Brasil e o mundo dizem não a Belo Monte. O povo paraense diz: Pare Belo Monte!”.
Marcos Mota do Fórum da Amazônia Oriental avalia que as ações de protesto que ocorrem pelo mundo ajudam a esvaziar o discurso falacioso do governo, “De fato, a usina causará um impacto social e ambiental sem precedente na região e entre habitantes locais.”
Para o estudante Anderson Castro, liderança do movimento estudantil, “Este ato tem uma importância fundamental, pela primeira vez a gente consegue unir forças a nível internacional para lutar contra a construção de barragens na Amazônia e nós fazemos um convite para a juventude indignada que venha para somar nesta luta”. A opinião também é compartilhada pelo estudante William Pessoa: “Belo Monte é um grande crime socioambiental que quer destruir a vida do Xingu; vamos às ruas barrar Belo Monte e evitar que se construa uma usina de destruição e morte”.
Para Neide Solimões, funcionária pública e dirigente sindical, “O Rio Xingu é um patrimônio da humanidade, daqueles que precisam e vivem do rio. E todos sabem que, politicamente, o que está por traz desta decisão governamental são compromissos com as grandes empreiteiras e grupos econômicos”, afirma.
A Bacia do Rio Xingu é uma referência pela sua diversidade biológica e cultural. Caso seja construída, a vida das etnias indígenas será duramente afetada no seu modo de vida. Trata-se, na verdade, de um crime contra o meio ambiente e à soberania do país. Por isso, a luta para barrar este projeto assume cada vez mais importância. É decisivo para o futuro da Amazônia e do Brasil.
BELO MONTE: Um exemplo de ineficiência energética
Dirigentes do movimento contra a barragem são unânimes em afirmar que até os peixes do Xingu sabem que este projeto é um exemplo de ineficiência energética, financiada com recursos do erário público que só ajudam a reforçar o esquema de corrupção dos que se locupletam no poder. Daí o motivo do governo ignorar o apelo das populações locais, das comunidades científicas e de promover sistematicamente violações da legislação, da Constituição Brasileira e de tratados internacionais.
Enquanto o governo se fecha ao diálogo, órgãos de inteligência monitoram a movimentação dos ativistas na região e em outros centros de resistência.
Solidariedade sem fronteira
Ato de Belém foi convocado no rastro de outras mobilizações ocorridas em vários estados brasileiros. A nível internacional, protestos estão confirmados na Alemanha, Austrália, Canadá, Estados Unidos, França, Portugal, México, Inglaterra, Holanda, Escócia, Taiwan, Turquia e País de Gales. A maioria das manifestações ocorrerá em frente à Embaixada Brasileira desses países.
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Antecipando programação, afetados pela barragem protestam em local simbólico da obra: a comunidade Belo Monte, que deu nome ao projeto
Publicado em 20 de agosto de 2011

 

Por Xingu Vivo



Movimentos sociais de Altamira e região realizaram nesta sexta (19) um ato contra a construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte. A manifestação antecipou a programação do Dia de Mobilização Global contra Belo Monte.Pescadores, agricultores, sem teto, professores, indígenas, ribeirinhos e desempregados marcharam, em confluência com a Romaria dos Mártires do Encontro das Comunidades Eclesiásticas de Base (CEBs), que acontecia no município de Vitória do Xingu. Os dois grupos se reuniram na pequena Igreja da comunidade de Belo Monte – bairro que deu nome ao empreendimento que tem balançado o mundo para iniciar o protesto.

 

Cerca de 300 pessoas cruzaram a balsa – trajeto simbólico que liga Vitória do Xingu a Anapu, numa caminhada que levou cerca de 3 horas. Durante o trajeto, as falas relembraram diversos lutares dos povos do Xingu, do Brasil e do mundo que tombaram em defesa de um mundo mais justo. Cantos e palavras-de-ordem deixavam claro: Belo Monte não é um fato consumado.

O ato foi organizado pelo Movimento Xingu Vivo Para Sempre, com a participação da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Sindicato dos Trabalhadores na Educação Pública do Pará – Núcleo Altamira (Sintepp-Altamira), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), além de diversas paróquias da região e associações de trabalhadores e moradores das comunidades atingidas.Fotos: Karen Hoffmann

 

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Atos exigirão paralisação da hidrelétrica por altos custos sociais e ambientais, na semana em que o MPF impetrou a 13ª Ação Civil Pública contra Belo Monte, por danos irreversíveis à natureza e conseqüente deslocamento de comunidades indígenas
Publicado em 18 de agosto de 2011
Por Xingu Vivo

Em uma grande iniciativa autogestionada, cerca de 15 cidades no Brasil promovem, neste sábado, 20, protestos contra a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Iniciativa que se apropriou do método de mobilizações via redes sociais, o Ato Nacional em Defesa dos Povos, da Floresta e dos Rios da Amazônia – contra Belo Monte contou com o empenho de inúmeros movimentos e ativistas locais, mas houve uma tentativa de interconexão para dar um caráter unificado ao protesto.

Em São Paulo, onde o Movimento Brasil pela Vida nas Florestas já realizou outras três manifestações contra Belo Monte e o novo Código Florestal nos últimos meses, estão sendo esperadas cerca de 4 mil pessoas na Avenida Paulista, entre elas vários grupos indígenas do estado.

O protesto também contará com a presença do cacique kayapó Megaron Txucarramãe, que, juntamente com o cacique Raoni Metuktire, tem simbolizado uma resistência de mais de 20 anos contra os projetos de hidrelétricas no rio Xingu. Megaron fará um ato solene e uma fala durante a manifestação, em nome de todas as populações ameaçadas do Xingu.

Na capital do estado ameaçado, Belém, a organização liderada pelo Comitê Metropolitano Xingu Vivo para Sempre confirma a participação de mais de 2 mil pessoas, entre elas vários grupos indígenas da região.

De acordo com os ativistas, o Ato Nacional contra Belo Monte visa exigir do governo a paralisação de projetos cujos altos custos sociais e ambientais anulam possíveis ganhos, principalmente quando as vantagens beneficiam apenas os grandes setores econômicos ou produtivos, em detrimento das populações da região.

Nesta quarta, 17, o Ministério Publico Federal no Pará impetrou a 13ª Ação Civil Pública contra Belo Monte, justamente argumentando que a seca de parte do Xingu inevitavelmente causará o deslocamento das populações indígenas locais, o que é vetado pela Constituição.

Pelo Mundo
Além do Brasil, cerca de 20 cidades em 16 países do mundo – entre eles Iran, Turquia, EUA, Noruega, Austrália, Alemanha, Inglaterra e País de Gales -, promoverão atos e protestos contra Belo Monte no dia 22, segunda, em frente a embaixadas e consulados brasileiros.

Para ver outros municípios, locais e horários de protestos, entre no site http://www.xinguvivo.org.br/acao/

Mais informações
Movimento Brasil pela Vida nas Florestas
–(ações específicas contra Belo Monte e alterações no Código Florestal Brasileiro) – www.brasilpelasflorestas.com.br

Marco Antonio Morgado – 11-9114 9833
Rafael Poço – 11-7519 7002
Clarissa Beretz – 11 8932-0703

Movimento Xingu Vivo para Sempre
Verena Glass 11-9853 9950
Tica Minami 11-6597 8359
Marquinho Mota – (91) 3261 4334/81389805 (Belém)

Frente de Ação Pró-Xingu (família Kalapalo) – http://frentedeacaopro-xingu.blogspot.com/

Comitê São Paulo em Defesa das Florestas – (contra as alterações propostas no Código Florestal Brasileiro) – www.florestafazadiferenca.com.br

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// sexta-feira, 19 de agosto de 2011

 

Escrito por Rodolfo Salm
Qui, 18 de Agosto de 2011
 

 

As obras da hidrelétrica de Belo Monte mal começaram e as suas primeiras vítimas na cidade de Altamira, no Pará, já são visíveis. Apenas no primeiro semestre de 2011, 4.000 pessoas já fixaram residência na cidade e fala-se que a população do município pode saltar dos atuais 105.000 para 150.000 pessoas ainda este ano. Como conseqüência, antes mesmo de as obras se tornarem visíveis, o primeiro grande impacto do projeto foi um aumento explosivo no preço dos aluguéis, inimaginável para qualquer grande cidade brasileira: até 400% em um ano! Um apartamento bom, que há pouco tempo se alugava por R$ 600, de repente só se encontra por R$ 2.000. Casas simples, de famílias, por toda a cidade estão sendo alugadas por R$ 4.000 ou R$ 5.000. Essas pequenas fortunas para o povo de Altamira são migalhas para as empreiteiras que estão se estabelecendo aos montes na cidade. Quem já morava mal, está indo parar nas favelas, barracos em áreas sazonalmente inundáveis assolados por esgoto a céu aberto, mosquitos, doenças e criminalidade.

Pode-se argumentar que esse aumento, naturalmente uma conseqüência da lei da oferta e da procura, com o tempo se ajustará pela mão invisível das forças de mercado. E que cedo ou tarde a cidade vai se redimensionar naturalmente. Pode até ser. Mas e quanto a este impacto sobre a vida das pessoas da cidade durante a construção da usina? Esta situação já era previsível, pois ocorreu o mesmo no entorno das hidrelétricas do Madeira, em Rondônia, e em outras obras dessa natureza em regiões remotas.

Se houvesse alguma preocupação do poder público e dos construtores da barragem com a população, deveria ter sido promovida uma expansão da estrutura urbana de Altamira (uma cidade tão pequena que em 15 minutos pode ser atravessada de bicicleta) antes do início de uma obra de tal proporção, com a abertura e pavimentação de novas vias, iluminação pública e segurança para novas áreas, abundantes no entorno da cidade. Seria algo como a criação de uma “Nova Altamira”, no entorno da velha, com novos bairros, desviando o tráfico de caminhões, organizando o lixo etc. No entanto, o que se observa é que a velha cidade (que em 2011 completa 100 anos) está sendo apenas maquiada.

E muito precariamente, com uns sinais de trânsito novos, umas placas, pintura de faixas brancas e amarelas no asfalto das ruas mais visíveis da beira do cais etc. Nenhuma avenida nova está sendo aberta, nenhuma área nova está sendo iluminada. As ruas dos bairros continuam igualmente escuras e esburacadas como sempre foram. Os que não têm casa própria e dependem de aluguel já estão sentindo os efeitos da barragem na pele.

Mas esta ainda é só metade da história. Com mais ou menos sofrimento individual (alguns vão de fato prosperar economicamente) os seres humanos por enquanto não são as principais vítimas de Belo Monte. Em minha opinião, o primeiro grande impacto de Belo Monte sobre a cidade de Altamira até aqui foi a criminosa destruição, em poucos dias, de uma área de cerca de 20 hectares de florestas primárias de grande porte na beira do rio, visível de praticamente qualquer ponto da cidade. Até junho deste ano, esta cadeia de morros que margeia o rio Xingu ainda estava essencialmente florestada quase como fora registrada pelo cinema, em 1979, no filme Bye, bye Brazil, de Cacá Diegues, na passagem da Caravana Rolidei por Altamira.

O excelente estado de preservação dos morros que margeiam o rio no limite norte da cidade de Altamira se explica pela presença, nesta área, das instalações do 51º Batalhão de Infantaria de Selva do Exército Brasileiro, que protege uma floresta de aproximadamente 1.500 hectares. A área devastada recentemente estendia-se continuamente entre a reserva do Exército e a cidade, e imaginava-se que estava de uma forma ou outra protegida, até que ela foi rapidamente destruída diante de nossos olhos. Sem que o IBAMA tomasse uma providência sequer.

A área desmatada tinha uma das florestas mais preservadas da região, com alta densidade de árvores com troncos de mais de um metro de diâmetro. Segundo me contaram soldados que conhecem bem o local, tamanduás-mirins eram abundantes naquela área, que também abrigava alguns dos últimos ninhos de arara das proximidades da cidade. A área foi devastada, ironicamente, inclusive com o apoio de colegas que lutam contra a construção da barragem! Explico: parte da área devastada está em um terreno pertencente à Eletronorte e a outra parte supostamente pertence um político local, Domingos Juvenil (PMDB), um ex-prefeito de Altamira.

De uma hora para outra, uma multidão “ocupou” (ou invadiu, depende da posição de cada um) a área, alegando que suas casas serão alagadas pela construção da hidrelétrica e que a Norte Energia (consórcio de empresas que “venceu” o leilão da barragem) não está tomando providências quanto à sua realocação. Portanto supostamente teriam direito àquela área. De fato, a empresa responsável pela construção da hidrelétrica, que tem entre suas obrigações a reestruturação da infra-estrutura da cidade e o reassentamento dos desalojados pela subida permanente das águas da barragem, não está tomando providências concretas nesse sentido. Por outro lado, o ex-prefeito Juvenil também não apresentou comprovação legal da posse de sua parte do terreno, que entrou no pacote da invasão. Cerca de 100 famílias retalharam a área completamente com ruas e terrenos de 10x25m. Ativistas de movimentos sociais e estudantes universitários juntaram-se a estas pessoas na organização do processo.

Os representantes da Norte Energia são coniventes com o crime, pois logo nos primeiros dias das derrubadas chegaram a dizer a estas famílias que permitiriam a ocupação da área e chegaram a fazer um cadastramento de famílias. Que solução precária essa, não cuidar do assentamento das pessoas e permitir que invadam uma preciosa área de floresta em um oceano de devastação, que estava sob sua responsabilidade!

A polícia chegou a aparecer para desocupar o terreno em fase de desmatamento (ver vídeo no Youtube), mas “misteriosamente” desaparecia nos dias seguintes e as pessoas voltavam e seguiam com a devastação. Depois, a mata derrubada queimou por vários dias, enchendo a cidade de fumaça.

Há poucos dias saiu um mandado de reintregração de posse daquela área, que foi então desocupada. As famílias estão atualmente acampadas em protesto em frente à prefeitura. É muito provável que eles tenham apenas servido de mão-de-obra gratuita para os “donos” do terreno que já queriam a eliminação da floresta. E agora, com o serviço que prestaram, os que lucrarão imensamente com a venda de terrenos, o ex-prefeito Juvenil, a Norte Energia etc., não podem ser responsabilizados legalmente pelo desmatamento.

Se as famílias ficarão ou não com a área desmatada, é impossível dizer no momento. O grave é que a mata que havia ali já foi destruída para sempre, com raros exemplares da nossa fauna e flora silenciosamente exterminados. Este é apenas um pequeno exemplo, que pude acompanhar de perto, da imensa aceleração nos desmatamentos que acontece em todo o município de Altamira, que recentemente se tornou aquele que mais desmata em toda a Amazônia brasileira.

Se houvesse um mínimo de planejamento para a construção dessa barragem, as pessoas seriam antes de tudo realocadas para bairros atraentes, com infra-estrutura e transporte, evidentemente em áreas já desmatadas, como são quase todos os espaços próximos à cidade. E aquela floresta à beira do rio Xingu, que tivera a felicidade de permanecer preservada até aqui, estando, no fim das contas, em uma terra pública, poderia dar lugar a um parque aberto à população, uma vez que a área adjacente do exército é de acesso restrito. Se realizado desta forma, seria um local para recreação em uma cidade que sofre profundamente com a falta de parques e praças, e que, caso este projeto de barrar o Xingu prossiga, perderá sua grande atração de lazer, que são as praias do rio.

Eu escrevo “caso este projeto prossiga”, pois estão crescendo exponencialmente as manifestações contra a barragem em todo o mundo. No fim de julho, aconteceu em Altamira a “Marcha pela moradia contra Belo Monte”, da qual participou uma expressiva quantidade de pessoas. E cujo manifesto da convocatória reproduzo a seguir: “A vida da população mais pobre de Altamira está cada vez pior. Não temos saúde, água, segurança, educação… E agora nem casa! Muitos de nós estão sendo despejados ou forçados a sair de suas casas – por causa do desemprego, do aumento dos aluguéis e por insegurança de não sermos respeitados pelos que estão tentando construir Belo Monte. Temos que dar um basta nisso! O governo tem que atender às nossas reivindicações. Ao invés de gastar 30 bilhões com empreiteiras, políticos e multinacionais para destruir nossa vida e nossa região. Queremos moradia digna, e não Belo Monte!”.

Em São Paulo, na avenida Paulista, em frente ao MASP, aconteceram este ano várias manifestações contra Belo Monte. Anos depois do impeachment do Collor, os estudantes voltaram a pintar seus rostos em protesto, agora no estilo indígena, em referência aos índios do Xingu que inevitavelmente seriam dizimados com a construção de um complexo de hidrelétricas neste rio. Na verdade, esta é a continuação daquela velha luta. Este ano, o Senado declarou apoio à hidrelétrica de Belo Monte através de um texto de autoria do agora senador Fernando Collor (PTB-AL).

PS: Está sendo organizado um ato mundial contra Belo Monte para o período entre 20 e 22 de agosto, com manifestações previstas nas cidades de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza, Recife, Brasília, João Pessoa, Porto Velho, Belém e Santarém, além de Toronto, Ontario, Londres, Paris, Berlim, Teerã, Haia, Lisboa, Edimburgo, Taipei, Washington, Nova York, São Francisco e Guadalajara.

Mais informações no site http://www.xinguvivo.org.br/.

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Altamira, e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte.

Postado por xingu vivo para sempre às 04:42 0 comentários

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  • SE DECIDE SI VIVE O MUERE LA AMAZONÍA COMO UN TODO: REPRESA BELO

    4 Jun 2011 malcolmallison. Just another Lamula.pe weblog Instituto Socioambiental – ISA
    :: Especial Belo Monte “A Volta Grande do Xingu, …. Não respeitam o sofrimento
    que eles sabem que vão causar”, afirmou o líder indígena em uma mesa composta
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    el documental “À Margem do Xingu–Vozes Não Consideradas”, cuyo estreno coincide
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